Levantamento mostra avanço da participação feminina em relação a 2023 e revela um mercado que faturou mais de R$ 5 bilhões e emprega mais de 20 mil profissionais no Brasil.
A comunicação corporativa brasileira tem um rosto cada vez mais feminino. De acordo com o Censo Brasileiro das Agências de Comunicação 2025, mulheres representam 66,8% dos colaboradores nas agências que informaram seus dados de gênero, um avanço em relação aos 62,4% registrados na edição anterior. (Fonte: Censo-Abracom-2025)
Começo: um setor grande, maduro e em transformação
Os números ajudam a explicar por que o retrato do mercado importa. A própria apresentação do Censo situa o segmento como um universo que faturou mais de R$ 5 bilhões e emprega mais de 20 mil profissionais, segundo o Anuário da Comunicação Corporativa 2025.
Ao mesmo tempo, o setor vive um período de mudanças aceleradas, com pressão por inovação, revisão de modelos de negócio e impacto crescente da tecnologia no dia a dia das operações. O material Abracom Insights, já destacado nesse portal, reforça esse contexto ao apontar que “tudo muda rápido”, comportamentos, formatos e modelos e que inovação vai além de ferramenta: depende de postura, diálogo e execução.
É nesse cenário que o Censo busca funcionar como bússola: uma base para “qualificar as informações sobre o mercado” e entender como ele se organiza e evolui.
A presença feminina maciça e o que os dados realmente medem
Os dados sobre gênero aparecem na página 10 do Censo, dentro do bloco de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). Nesta edição, o levantamento se aprofunda e passa a incorporar também recortes de faixa etária e raça, indo além de 2023, quando o foco ficou limitado a gênero.
O resultado mais chamativo é a maioria feminina: 66,8% (contra 32,1% de homens e 1,1% classificados como “outro”).
Um ponto importante de leitura: esses números consideram as agências que efetivamente divulgaram a informação, a base indicada é de 265 agências, equivalente a 88,6% do total da amostra que respondeu essa parte do questionário.
Além do gênero, o Censo aponta um mercado predominantemente “adulto-jovem”: 63,5% dos trabalhadores estão entre 26 e 45 anos, enquanto 8,4% têm mais de 55 anos.
Já quando o assunto é raça, o levantamento registra que apenas 28,1% das agências disseram ter feito algum tipo de pesquisa interna sobre etnia. Entre as que reportaram dados, a presença de pessoas brancas aparece como majoritária (78,6%), e o próprio relatório compara esse número com a proporção de pessoas brancas no Brasil segundo o Censo Demográfico de 2022.
Na prática, o recado é duplo: existe um avanço claro na fotografia de gênero, mas ainda há lacunas quando o assunto é mensuração consistente de outros recortes de diversidade , algo que o próprio Censo tenta estimular ao ampliar o olhar de DEI.
O resumo do Censo em números
O Censo 2025 é apresentado como a terceira edição do estudo, organizado por um consórcio envolvendo Abracom, Gecom, Jornalistas&Cia e Mega Brasil.
Metodologia e universo mapeado
A pesquisa contabilizou 1.174 agências no total pesquisado e chegou a 1.013 agências válidas na base final.
Onde estão as agências
O Sudeste segue concentrando a maioria das operações, com 75,2% das agências. No recorte estadual, São Paulo aparece na liderança com 611 agências (60,3%).
Das 1.013 agências pesquisadas, 80,2% iniciaram as operações a partir dos anos 2000. E a década de 2010 a 2019 foi a mais prolífica, com 41,2% das fundações, período associado pelo relatório à digitalização de conteúdos e ao surgimento de novos serviços.
O que os clientes mais compram
Mesmo com leve queda frente a 2023, Assessoria de Imprensa continua sendo o serviço mais solicitado, aparecendo em 82,2% das respostas quando a pergunta é “três serviços mais solicitados”.
Em seguida, Gestão de Mídias Digitais e Redes Sociais aparece como o segundo serviço mais procurado, citada em 55,5% dos casos.
O que a maioria feminina sinaliza para o futuro das agências
A presença feminina maciça nas agências não é apenas um dado demográfico: ela ajuda a entender como o setor está se reorganizando por dentro num momento em que o “produto comunicação” precisa provar valor, ganhar sofisticação e responder a desafios tecnológicos e de reputação. O próprio Censo descreve um segmento “maduro” e “pronto para novos desafios, inclusive tecnológicos”.
E os desafios não são abstratos. No material Abracom Insights, a discussão sobre inovação e tecnologia insiste em um ponto central: IA otimiza tarefas e acelera processos, mas a vantagem competitiva continua na inteligência humana aplicada com contexto, ética e criatividade e na capacidade de transformar ideias em execução e resultado.
Em outras palavras: se as mulheres são hoje a maioria na operação diária das agências, o próximo passo para o mercado é garantir que essa maioria também se converta em influência real, em decisões, liderança, remuneração, desenvolvimento e critérios claros de DEI. O Censo 2025 dá o retrato. Agora, ele também funciona como um convite: olhar para dentro, medir melhor e profissionalizar ainda mais o setor por dentro , do jeito que o mercado já exige por fora.
Fonte: EBOOK CENSO ABRACOM 2025
