A crise de imagem de Davi Brito e o risco de deixar a reputação ao acaso

Em abril de 2024, Davi Brito saiu do BBB 24 como o campeão do povo: ex-motorista de aplicativo de Salvador, venceu com 60,52% dos votos na final e levou para casa R$ 2,92 milhões. Dois anos depois, o cenário é outro.


Em entrevista ao canal LeoDias TV, no dia 25 de fevereiro de 2026, Davi desabafou: “A Globo virou as costas para mim, sim. Eu era o campeão. Acho que era para eles me abraçarem e falarem: ‘A gente tem uma equipe para você’. Eles deram isso para outras pessoas; para mim, não” (CNN Brasil, 25/02/2026). Segundo ele, voltou para Salvador sem assessoria, sem plano de carreira e “só perdendo seguidor”.


A fala é compreensível do ponto de vista humano. Mas do ponto de vista estratégico, ela expõe algo mais amplo: o custo que se tem de deixar a própria imagem ao acaso.


A Globo chegou a representá-lo pela ViU, sua divisão de marketing de influência. Mas o contrato não foi renovado após uma série de episódios que desgastaram progressivamente sua imagem. O mais grave foi um escândalo de publicidade cruzada: enquanto tinha contrato de exclusividade com a Esportes da Sorte, parceira da própria Globo, Davi interagiu publicamente com Márcio Victor, do Psirico, cujo perfil exibia publicidade de uma casa de apostas concorrente. O contrato foi rescindido de imediato.

Segundo o colunista Gabriel Perline (Revista Contigo), o acordo previa R$ 300 mil fixos por seis meses mais 20% das apostas feitas via link, um prejuízo de ao menos R$ 1,5 milhão (Metrópoles, 31/07/2024). A Globo, que recebia parte dos lucros da parceria, poderia ser prejudicada com o impacto das relações. (PurePeople, 25/02/2026).


O término tumultuado com Mani Reggo, seguido de uma relação conturbada com Tamiris Alves, que incluiu acusações de ameaça com arma de fogo, completou o quadro que afastou patrocinadores e tornou a não renovação do contrato com a ViU uma questão de tempo (Terra, 25/02/2026).


O que a gestão de imagem tem a ver com isso


É legítimo questionar se a Globo poderia ter feito mais. Outros ex-BBBs receberam estrutura mais sólida, Giovanna Pitel, Fernanda Bande e Beatriz Reis, da mesma edição, seguiram representadas pela emissora (Terra, 25/09/2024). A assimetria existe e merece ser discutida.


Mas gestão de imagem não é uma responsabilidade que se terceiriza completamente. É um trabalho contínuo e pessoal: escolher com cuidado as parcerias, manter coerência entre discurso e atitude, e ter uma equipe que monitora não apenas números de seguidores, mas a percepção qualitativa do público.


A narrativa construída dentro do BBB de um jovem trabalhador, honesto e combativo, tinha valor imensurável no mercado publicitário. Mantê-la exigiria consistência. A inconsistência entre o personagem que o público amou e a figura que foi surgindo no pós-programa criou um abismo que, até hoje, não foi atravessado.


Culpar a Globo não resolve. O que resolve é assumir a narrativa da própria vida com a mesma garra que o levou à vitória dentro da casa, desta vez, com profissionais competentes ao lado e com a consciência de que fama, como qualquer ativo, se deprecia quando não é gerida.

ASSISTA O EPISÓDIO DO PODCAST É CRISE:

Fontes: CNN Brasil (25/02/2026), NSC Total (25/02/2026), PurePeople (25/02/2026), Metrópoles (31/07/2024), Terra (25/09/2024 e 25/02/2026), Revista Contigo/Gabriel Perline.